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Um Conto – O Olhar Através do Espelho

Já passava de meia noite, ela pensou:

– não posso mais.

quando abriu os olhos novamente não estava mais deitada em sua cama, seu quarto não estava mais sujo, não tinha mais o cheiro de antes. Ao seu lado não estava mais o homem de meia idade levemente careca que lhe pagara por uma hora de suas habilidades.

Agora ela estava descalça, podia sentir a grama tocando seus pés, a brisa lamber o seu rosto gentilmente com um cachorrinho que quer brincar. Ela estava em paz e já não pensava mais sobre o dinheiro que devia ou na vergonha do que fazia para se sutentar.

Essa sensação durou cerca de meia hora, no entanto para ela foi o equivalente a uma vida inteira. Cada vez era diferente, certa noite ela fora uma duquesa em algum país que se assemelhava à Inglaterra, se era mesmo a Inglaterra ela nunca teria certeza, pois havia ido embora como tatas outras vidas que vivera, no entanto essa fora uma de suas melhores viagens.

Dessa vez ela era uma camponesa em algum reino esquecido na idade média, se parecia com ela na vida real, porém era mais bem cuidada a vida não havia sido tão dura com ela, seus seios ainda eram firmes e atraiam a atenção de todos os homens do vilarejo, ela era cortejada por todos. Uns juravam amor eterno, outros prometiam riquezas, mas ela negava a todos. Seu verdadeiro amor morava floresta a dentro, ela não tinha certeza se era homem ou mulher, o vira algumas vezes enquanto se banhava na lagoa, ele, ou ela, apenas passava e fingia não a notar, mas andava como se desfilasse para ela ao longe. Ela sabia no momento em o(a) vira, seu coração seria dele(a)

Seu pai era um homem respeitado no vilarejo e decidira ela que deveria se casar, e que se ela não escolhesse logo um pretendente ele mesmo escolheria o que lhe fosse mais conveniente. O pensamento de não poder saber quem era o ser que habitava a floresta enchia seu coração de pesar, pois ele(a) era a unica pessoa que ela queria.

Quando atingiu os 17 anos de idade o pai preparou uma festa onde ele escolheria um rapaz para desposar sua filha. Em determinada hora foi notada a presença de um forasteiro que chamou a atenção de todo. As opiniões começaram a divergir quando muitos dos convidados se referiam a ela como a “adorável senhorita que chegou a pouco” e outros ainda o chamavam de “o simpatico rapaz que viera de outra cidade”. No entanto todos concordavam que sua presença era extremamente agradável e quanto eles o(a) queriam para si proprios.

A festa então mudara de tom, alguns rapazes já não se interessavam pela filha do homem, alguns animos começaram a se exaltar e armou-se a confusão. No meio da baderna o(a) estrangeiro(a) puxou a moça para longe da vista de todos e amou-a sob a vigilia das estrelas e a benção da lua.

Quando ela acordou no seu quartinho sujo e que cheirava a suor e culpa o homem levemente careca já tinha ido embora ela estava na cama nua e com o torniquete ainda amarrado ao braço. Ela sabia que precisava de mais uma dose, pois tinha

certeza que ele(a) estaria lá em sua próxima viagem, como ele(a) sempre estava. O que ela precisava fazer agora era conseguir mais heroína para encontrar seu amor mais uma vez ainda que não fosse naquele mundo, na verdade ela já não sabia mais se aquele mundo sujo onde ela vendia seu corpo por dinheiro não era apenas um pesadelo no meio de suas diferentes vidas alegres onde era sempre amada a desejada.

Do outro lado do espelho a outra irmã olhava paciente, sabia que a garota estava a um passo de sair do reino de seu irmão/irmã e adentrar seu proprio reino e ai ela seria sua propriedade. E do outro lado do espelho Desespero sorria.

 

 

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Algo Sobre Quadrinhos

Eu conheço gente que leu “O Cavaleiro das Trevas” e achou uma merda e a essa hora você, incauto leitor, está escandalizado pensando “como assim? essa é uma das melhores HQs de todos os tempos”. Ai eu te digo mais, conheço gente que não gosta de Watchmen. Se depois dessa você continuou lendo eu explico.

Confesso que eu mesmo quando li a obra de Frank Miller pela primeira vez, não entendi qual era todo o alarde em cima dela, eu achei legal, bem pensado, mas porque todo esse frisson em cima de O Cavaleiro das Trevas? Devo dizer que eu me perguntava isso porque essa foi a segunda ou terceira HQ que eu li a sério, até então meu contato com histórias em quadrinhos se resumia à turma da mônica.

O tempo foi passado e eu fui lendo outras HQs, achei que existiam outras revistas melhores que Dark Knight, como Preacher, Sandman e, pra falar ainda de Batman, O Longo dia das Bruxas.

Acho que foi mais ou menos um ano depois que comprei um encadernado da Panini com as histórias de Ras Al Ghul, quase todas elas de Denis O’ Neil e Neal Adams.

Ao ler essas histórias é que eu me dei conta: Puta era isso que o Batman era pra essas pessoas na década de 70.

Me deparei com um herói meio brincalhão, mais de bom humor e sempre com um plano mirabolante na manga, algo que em parte lembrava aquele seriado antigo com Adam West.

Não que sejam ruins, pelo contrario, são bem interessantes, mas nelas falta algo do Batman que Conhecemos hoje, algo que foi justamente Frank Miller que acrescentou em Dark Knight.

Enfim, se você gosta de quadrinhos hoje pode até achar que Cavaleiro das Trevas não é la tudo aquilo que você esperava, mas pense que em 1986 aquilo nunca tinha sido feito, ninguem nunca tinha visto um super heroi caido de seu pedestal, com conflitos existenciais e acima de tudo sombrio, muito sombrio. Então se hoje você lê 100 balas, esclapo, ou qualquer outra série da Vertigo agradeça ao tio Frank.

No mesmo ano saiu Watchmen que veio reforçar essa idéia, mas isso é outra história.

Se eu tiver paciência depois faço uma resenha de verdade sobre Cavaleiro das Trevas, mas ninguem vai ler mesmo.

E lembrem-se sempre, se não gostou vai pro caralho!